Medo de Morrer

Todos nós temos medo de morrer.
Esta afirmação pode parecer radical, mas acredito piamente nisso. Alguns, como eu, declaram este medo abertamente. Outros, talvez mais espertos, mascaram esse medo através de crenças religiosas de que o que está por vir será melhor do que o que se tem aqui e seguem, assim,  afirmando não temer a morte.
Eu não. Eu morro de medo de morrer!
Costumo dizer que podem me deixar por aqui, afinal, tá ruim, mas tá bom. Pelo menos aqui eu sei como é. Mas acho mesmo que o medo de morrer está muito mais relacionado ao medo do que iremos perder (e vamos perdendo ao longo de toda a vida) do que ao medo do que iremos encontrar adiante. Também está relacionado ao nosso, a meu ver, maior pecado capital: o controle. Tá bom, eu sei que ele não está elencado entre os sete pecados capitais estipulados pela igreja católica, mas vamos dizer que ele poderia ser, ao menos, o oitavo.  Buscamos no controle evitar a morte a todo custo, seja a morte de um relacionamento, onde o controle se treveste de ciúmes, seja a morte do tempo, onde o controle aparece como a pressa e a sobrecarga de tarefas, seja a morte da juventude, onde o controle se transmuta em tratamentos estéticos e cirúrgicos para se evitar o segundo maior medo, depois da morte: o de envelhecer.  E assim, tentando controlar, adoecemos e, muitas vezes, antecipamos aquilo que mais temíamos.
Se você não acredita no que estou dizendo, pare e preste atenção em como nos empenhamos atualmente para manter o corpo perdido, algumas vezes de maneira saudável, claro, mas outras beirando à bizarrice. Fico pensando, de que vale você eliminar algumas rugas e passar a dizer “ Socorro, seuquestraram meu filho!” com a mesma expressão facial que diz “ Você é tudo pra mim.”??? Mas é isso que estamos fazendo. Então, não me venha com essa de que você não tem medo de morrer. Até porque, gente, do jeito que a vida anda difícil, se morrer fosse bom, alguém já tinha acabado com essa mamata.
Aliás, a morte continua sendo uma das pouquíssimas coisas a que todos temos direito, sem exceção alguma. Independente de status ou classe social, com ou sem dinheiro, sendo negro, branco ou índio, hetero ou homossexual, homem ou mulher, velho ou criança, a morte é extremamente democrática e nunca será privilégio de alguns. Aliás, ela está aí pra nos mostrar que, de fato, somos todos iguais. Mas disso a gente não quer saber, porque ninguém quer saber de morrer…
A gente quer continuar vivo, experimentando, conhecendo, descobrindo, ou seja, vivendo. Porque a vida, ainda que com todas as suas mazelas, é boa mesmo. E a gente ADORA estar por aqui. Quer ver só? Reencarnação. Quem não acredita? Quase ninguém e os que não acreditam, ou tem a certeza de que viverão a eternidade (o que seria um tipo de reencarnação no céu) ou, pelo sim, pelo não, farão ao menos uma consulta com um especialista em regressão, pois vai quê? É assim mesmo gente, aqui vale a célebre frase do Evandro Mesquita: “Todo mundo quer ir pro céu, mas ninguém quer morrer”. Nem eu e nem você.
Alguns, a meu ver, os mais apavorados com a morte, procuram encontrar consolo quanto ao fatídico e derradeiro destino e argumentam: “Quem não morre não vê Deus”. Mentira!!!! Tem um monte de gente por aí cheia de história pra contar sobre Deus. Só eu, conheço, por baixo, uns dez amigos que juram ter tido uma experiência real com Ele.
Então, para de show, assume logo que você, como eu tem medo da morte e trata de fazer disso um grande motivo pra aproveitar e cuidar melhor da sua vida (só da sua tá? Deixa a dos outros em paz). Quem sabe assim, já que não dá pra evitar o inevitável, a gente consegue empurrar ela (a tal da morte) mais pra frente um pouquinho? Aí, quando ela chegar a gente possa não ter a menor dúvida de que ela veio na hora certa e de que foi muito bom mesmo estar por aqui.11666031_989111041120569_7938550942087708655_n

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Sem medo de envelhecer…

Uma homenagem aos meus pais e a todos que já sentem o peso do tempo.
Porque ele é implacável e passa pra todos nós…
Eu não tenho medo de envelhecer…
De perder o viço da pele, a firmeza do andar, a disposição de viver.
Eu não tenho medo de envelhecer…
De me cansar antes do tempo, de me resfriar a qualquer vento, de acordar ao amanhecer.
Eu não tenho medo de envelhecer…
De esquecer nomes e rostos, de falar dos meus desgostos, de sentar ao lado da solidão.
Eu não tenho medo de envelhecer..
De esperar de onde já não vem, de falar mesmo sem ter com quem, de fazer planos, alguns em vão.
Eu não tenho medo de envelhecer…
Da risada frouxa e sem motivo, da palavra que me foi esquecida, de me despedir, dia após dia, da vida.
O que me apavora é ter o sorriso vazio, o caminho escuro e frio e sentir nele a falta da mão do meu filho.
Me amedronta não mais sonhar, não ter a quem acarinhar, perder o brilho no olhar.
O medo que me consome, a mim e acho que a todo homem, não tem a ver com despedida.
O pavor é não ter pra onde correr e não mais me reconhecer, enquanto ainda houver a vida.

Parece apenas mais uma lista… mas não é

Então eu, com a mania das minhas incontáveis listas, resolvi agora listar 13 coisas que você não pode deixar de experimentar antes de se mandar daqui, desse mundo louco. Geralmente as listas contém 10 coisas, mas como estou do contra hoje , resolvi postar 13. E, olha que hoje nem é sexta-feira 13. Bem lá vai…
1- Uma paixão daquelas de tirar o fôlego, que faz a gente tremer por dentro quando encontra a pessoa, que faz o pensamento virar monotemático e que faz a gente querer tudo pra ontem, porque na paixão, o futuro é muito distante. Então, vive-se o hoje, intensamente;
2- Uma amizade sincera e duradoura, daquelas que basta um olhar para que os dois amigos se entendam; onde os defeitos de um e de outro são motivo de piada e as qualidades, os motivos pra quererem estar juntos; daquelas com mil histórias pra contar e muitas risadas, frutos de piadinhas internas que só os dois compreendem; daquelas que você sabe que é para sempre e que pode contar enquanto essa vida louca durar;
3- O amor incondicional de um animalzinho de estimação, não importa se é gato, cachorro ou qualquer outro bicho, o que vale aqui é receber um carinho despretensioso; é ter certeza de que ele estará ao seu lado, independente do seu bom ou mau humor e que vai te ensinar que o amor é, sim, capaz de tudo suportar; que vai ouvir as suas lamúrias e aturar suas esquisitices, simplesmente, porque é assim que você é e eles adotaram você assim mesmo (sempre achei que os animais escolhem os donos e não o inverso) por isso não há expectativas e cobranças, somente o amor na sua mais pura e sincera expressão;
4- O medo de perder alguém querido. Seja por morte, doença ou simplesmente porque ele pode não estar mais lá. Isso nos dá a perfeita perspectiva das coisas, da impermanência da vida, de como temos que valorizar quem amamos enquanto é tempo. E, também , por que não? Afinal, quem disse que eu só listara coisas boas?
5- A doce e reconfortante sensação do perdão. Isso mesmo. Perdoar alguém é algo mesmo divino. Quando somos capazes do perdão genuíno, aquele que apaga as mágoas e deixa o coração mais leve, experimentamos algo capaz de nos devolver a paz roubada pelo ressentimento e vivenciar uma leveza de que poucos são capazes. Vale a pena tentar;
6- O amor por um filho. Não importa aqui de onde ou como ele veio. Importa é você senti-lo como seu e ser tomado por um querer bem que ultrapassa todo entendimento. Este pode ser o sentimento mais poderoso que irá experimentar. Um amor inexplicável e capaz de tudo, tudo mesmo;
7- A sensação de ultrapassar um grande obstáculo. Seja a conquista do tão almejado emprego, ver seu nome na lista dos aprovados para o vestibular (na minha época isso ainda era um grande obstáculo), superar uma limitação ou vencer uma doença grave. Com certeza você terá inúmeros outros para acrescentar a esta lista. Não importa o que seja, mas que você possa se sentir um vencedor em algum momento e que isso sirva de combustível para seguir em frente e, melhor, acreditando ainda mais em você;
8- Vivenciar alguma séria dificuldade. Pode ser de qualquer tipo, desde que seja algo realmente importante. Isso te dará um olhar mais amadurecido sobre as coisas da vida e lhe ajudará a não fazer tanta tempestade em copo d’água. Sinceramente acredito que a falta de problemas sérios abre espaço para pitis desnecessários e para o famoso “procurar pêlo em ovo”, ou seja, criar problemas onde não se tem, o que, pra alguns , corre o risco de se tornar um vício e diga-se de passagem, além de ser perda de tempo, é muito chato;
9- Ajudar alguém que precisa. De fato ajudar ao outro pode ser uma das melhores sensações da vida. O que, num primeiro momento, pode até parecer piegas, e é. Mas é isso mesmo. Ajudar ao outro nos faz sentir necessários ou, ao menos, importantes naquele momento. Além disso, te fará grato pelo que tem e tornará possível se colocar no lugar do outro, exercício que, a meu ver, deve ser praticado sempre, não só para ampliar a nossa capacidade de compreensão, mas também para que possamos aprender com as diferenças;
10- Viajar, viajar muito. Não somente pra conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes, mas pra conhecer melhor a nós mesmos, pois quando estamos longe de casa, na nossa zona de conforto e enfrentando algumas dificuldades temos a oportunidade de ampliar a nossa percepção e melhorar enquanto pessoas.
11- Enfrentar um medo. Medos, todos nós temos e alguns nos acompanham para sempre, mas quem teve a sorte de poder superar um medo, sabe do que eu estou falando. O medo paralisa e nos faz desistir de coisas que jamais saberemos se dariam certo ou não. Ele trava o riso, enrijece o corpo, nos coloca na defensiva. Tudo bem que o medo pode ser providencial e nos livrar mesmo de algum perigo, mas há medos e medos, alguns são pra proteger e outros pra nos impedir de crescer. Estes, sim, devem ser superados, sempre que possível. Vale a pena tentar;
12- Se dedicar a uma causa. Pode ser qualquer uma, pelos animais, pelas crianças, pela paz mundial ou até pela substituição do síndico do seu prédio. Envolver-se em um projeto e dedicar-se a uma causa ajuda, não só ao objeto do seu intento (no caso do síndico, atrapalha né?), mas te dá uma sensação de empoderamento, de se sentir necessário e fazendo algo que tenha valor, além de encontrar, no caminho, alguns adeptos à sua causa e chegar a realizar, nem que seja aos poucos, devagar e sem pressa, coisas grandiosas;
13- A fé em Deus. Isso, mesmo, a fé em Deus. Independente de como você o conceba, mas que você possa crer que há algo maior do que tudo e que você não está e nunca estará sozinho. Que você possa descobrir isso o quanto antes, mas que se assim não o for, que você tenha ao menos um contato genuíno com Deus, nem que seja na hora de partir, nem que seja só para compreender o porquê de você ter tido a oportunidade de experimentar tudo isso, nem que seja pra agradecer e dizer que valeu a pena.

Porque a gente é muito mais forte do que pensa

lhbugvuv Porque a gente é muito mais forte do que pensa.
Num primeiro momento isso pode parecer bom. Conseguimos sobreviver à muitas intempéries da vida, atravessar obstáculos, superar dificuldades, enfrentar os maiores desafios. Contudo, se olharmos bem direitinho pra essa história toda, podemos perceber que ser forte demais também é ruim. Acabamos por carregar peso demais, aguentar coisas demais, suportar dores demais e não há nada de heroico nisso.
Simplesmente podemos achar que não nos resta outra opção ou tenhamos sido encorajados a sempre a dar o nosso melhor, que pode ser facilmente confundido com “aguente firme, não desista nunca”.
A desistência, o deixar pra lá é quase que unanimamente percebido como fraqueza, fracasso, sei lá. Mas desistir pode ser sim, um grande ato de coragem. Deixar de insistir no que não faz mais eco, deixar de tentar mudar o que não está ao nosso alcance, deixar de forçar a barra, de querer ganhar sempre. Porque o ganhar também pode estar no perder. E ao se perder, você pode finalmente, se achar.

Era uma vez… a menina que adorava contar histórias

mn kn knEla era uma menina simples, mas bem esperta, que sabia que as palavras eram como tesouros escondidos. E que, por isso, quando alguém as encontrasse, elas seriam capazes de modificar o mundo, tornando-o melhor, mais interessante, menos enfadonho e multi colorido.
E assim ela decidiu fazer. Dedicaria um tempo de sua vida a escavar palavras, a encontrar aquelas que melhor exprimissem o siginificado pretendido, as que melhor vestissem a sua imaginação. Porém, ela sabia que esta tarefa não seria fácil, pois as palavras, por vezes, têm vontade própria… mas sabia também que se fosse diferente, não estaríamos tratando de um verdadeiro e valioso tesouro.
E assim ela seguiu seu caminho, em meio a tantas palavras que encontrava: antigas, conhecidas de longa data, bem como por entre as palavras novas, que acabara de desvendar o significado. Todas as palavras realmente exercíam um fascínio sobre ela. Gostava do som, da forma e do que podiam expressar. Entendia que elas eram a ferramenta para se construir as mais preciosas pontes, aquelas que nos levam ao coração do outro e que por este motivo, eram tão preciosas. Sabia também que a comunicação é algo muito complexo, que se apresenta de várias maneiras, podendo gerar inúmeras confusões. Então, sabendo do cuidado que a tarefa exigia, se esforçava ainda mais para encontrar a melhor palavra e evitar uma palavra mal dita, que, se mal compreendida, poderia colocar tudo a perder.
As histórias, para ela, eram a mais pura diversão. Eram como sonhos no meio da noite e, quer refletissem a realidade ou não, nunca escapariam do seu verdadeiro propósito, que ela acreditava ser acessar ao coração. Além da escolha das palavras, ela tão bem sabia, seria necessário dosar a emoção, pra que a história coubesse dentro do peito e pudesse ser levada com a gente pra onde e quando necessário, sendo ela própria a nossa melhor companhia nos momentos de solidão.
Ela tinha um plano e nele as histórias seriam muitas, diferentes e também malucas, sofridas ou engraçadas, de diversos formatos e tamanhos, com a única preocupação de por pra fora o que vai dentro, de limpar a nuvem de sentimentos que pode nublar a mente em alguns momentos e de nos fazer voar…

Pra bem longe, pra perto, sei lá …achava mesmo que voar é sempre bom, pra qualquer lugar!
E ela decidiu assim, que contaria muitas coisas, e que, pra isso, teria sempre à mão o seu imenso baú de palavras, para que no momento certo pudesse acessar, travestindo-as de qualquer emoção que quisesse repartir. Teria histórias de criança, de bicho e de gente grande, todo tipo de historia, tantas quais fosse possível, pois o repertório da vida é infinito, assim como a nossa capacidade de sonhar.
Em algum momento, ela já sabia disso, suas histórias ganhariam vida e o fato dela tê-las contado, seria somente um mero detalhe. A história tomaria a forma de quem a escutasse, do jeitinho que a pessoa imagnasse, tornando-se assim também pro outro, um tesouro mais que precioso. E a partir daquele momento, a história não seria mais sua e sim, daquele que a guardasse, com novas palavras e personagens, como se fosse algo totalmente novo, dependendo de quem a escutasse. Cada história, independente do conteúdo, seria capaz dessa ligação, de unir mundos tão diferentes pela via da emoção.
E se um dia lhe faltasse história ou se as palavras a abandonassem? Inventaria um plano b, com os recursos que encontrasse. Lançaria mão do gesto, do desenho ou da música para impedir que não houvesse mais histórias. Para garantir que de um jeito ou de outro, o sentimento pudesse ser expresso, a emoção compartilhada e para que os outros não esqueçam que, inependente de uma história ser boa ou não, sempre vale a pena compartilhá-la.